sábado, 28 de março de 2015

134. Entre lágrimas e sorrisos

Luan On: 



Estava falando com o Sorocaba para ele me arrumar o número da Daniela, poderia ser o único jeito da Mel acreditar em mim. Mas assim que ouvi o estrondo da porta batendo sabia que tinha sido ela e que pelo visto não tinha gostado nada. Novamente viu as coisas a meio e com certeza tirou conclusões erradas. E se isso a fizesse repensar na hipótese de ir pra Portugal? Meu sogro estava comigo entalado na garganta e eu estava enrascado, teria novamente de provar que merecia a confiança de todos. 


Luan: Me manda mensagem cara, eu vou ter de resolver uma coisa. - falei rápido e desliguei saindo atrás da Mel. 


Encontrei a avó nas escadas que me olhou confusa e lhe perguntei pela Mel. Mas ela não a viu. Procurei na cozinha, na sala dos fundos, no meu estúdio, em tudo quanto é canto dentro de casa. Decidi procurar no jardim e na piscina não tinha vestígios dela. Até na garagem eu fui. Comece a me desesperar e me lembrei que ela poderia estar pelo jardim, já que era enorme e tinha algumas árvores. Gurizinho apareceu fazendo um som estranho, como se estivesse me avisando de algo e fui atrás dele vendo Melissa perto das suas flores sentada no chão abraçada aos joelhos e chorando baixinho mas desesperada. 




Meu coração apertou de um jeito como nunca senti e a culpa mais uma vez era minha. Estava pisando na bola uma vez atrás da outra. Já não sabia o que fazer, nem para onde me virar. Minha vida estava um caos e tudo porque eu fiz merda e não tenho a minha menina de bem comigo. Me sentei devagar ao seu lado e a puxei para um abraço forte, pois saberia que ela não iria querer. 


Luan: Xii, não chora meu amor, não chora. - implorei sentindo meus olhos encherem de água.

Mel: Porque você estava querendo falar com ela? Porquê? - indagou calma entre soluços. 

Luan: Porque se for o único jeito de você acreditar em mim eu não medirei as consequências, só quero o seu perdão e a sua confiança de novo. - falei choramingando. 

Mel: Minha vida está de cabeça pra baixo, sem você, com nossos filhos no hospital, eu não sei o que fazer. - confessou e sabia que ela estava sofrendo demais por não ter os gémeos perto. 

Luan: Você não está sem mim, eu prometi estar pra sempre com você, na alegria, na tristeza, na saúde e na doença, além dessa vida. - fechei os olhos a sentindo me abraçar. 

Mel: Me dá um tempo? - pediu após alguns minutos em silêncio. 

Luan: Como assim tempo? - disse confuso. 

Mel: Para pensar, para organizar as coisas. Só assim poderei saber aquilo que realmente quero. 

Luan: E seguir o seu coração não dá? 

Mel: Se eu o seguir neste momento tenho medo de me arrepender depois. - me olhou de baixo com lágrimas lavando seu rosto.

Luan: Tá bom, eu vou respeitar. Mas vou chamar a Daniela, eu não suporto viver com a sua desconfiança e achando que você pensa que eu te traí quando eu não fiz nada. 

Mel: Não é preciso chamar ela. Não precisa disso. 

Luan: Quer dizer que você.... 

Mel: Ainda não. - me interrompeu. - Mas não quer dizer que nunca volte, porque eu sei que você vai me dar provas de que merece. - enxugou as lágrimas e deixou um pequeno sorriso escapar. 

Luan: Você não tem noção do quanto eu te amo Mel. - a puxei para os meus braços de novo. - Vamos no hospital ver os nossos filhos meu amor, vamos. - sugeri e ela assentiu. 


Alice foi com a gente e depois de dias pude ver um sorriso enorme no rosto de Mel. Ambos estávamos sofrendo ainda, mas o clima já melhorou um pouco. Dr. Eduardo disse que o estado dos gémeos era o melhor e que logo mais estavam voltando para casa. Na volta decidi fazer algo diferente e parámos num parquinho calmo. Alice se empolgou na hora, ela adorava natureza tanto quanto eu. Melissa não disse nada, na verdade, ela não estava falando muito.  Parei numa carreta que tinha ali e comprei sorvete para os três. Passeámos um pouco e nos sentámos num banquinho de jardim vendo Alice brincar no parque com outras crianças. 


Luan: Ela cresceu rápido demais. - constatei puxando assunto.  

Mel: Cada vez mais esperta.

Luan: O professor de música dela me disse que logo mais ela pode subir nos palcos para apresentações com os outros alunos maiores. - falei orgulhoso e ela sorriu do mesmo jeito. 

Mel: Ela vai subir sim, nasceu para isso. 

Luan: Estava pensando em levar ela para alguns shows meus, como já sabe as músicas, mas só se você não se importar. 

Mel: Claro que não importo. Ela fica pedindo isso quando você viaja. 

Luan: Obrigado. - falei a olhando. Ela finalmente me olhou mas estava confusa. 

Mel: Pelo quê? 

Luan: Por ser a pessoa que é, mesmo depois destes anos você não perdeu esse jeitinho de menina, o seu coração é o melhor que já conheci, a paz que você me transmite e a força que me dá é única e eu nunca senti perto de outra pessoa a não ser você. - confessei a vendo corar e desviar o seu olhar do meu. - Até o fato de você corar não mudou. Continua a mesma menina mulher por quem me apaixonei há cinco anos. 

Mel: Você acha que a gente caiu na monotonia? - perguntou de repente me surpreendendo com essa pergunta. 

Luan: Pra ser sincero nunca parei pra pensar muito nisso, só sei viver te amando. Você acha que caímos na rotina? - ela deu de ombros e suspirou. 

Mel: Não sei, ás vezes sim, ás vezes não. Nossa vida não tem como cair na rotina, mas sinto falta de coisas que a gente fazia antes. 

Luan: Que coisas? 

Mel: Ah, você sabe. As nossas loucuras. - disse tímida e ri baixo - Mesmo a gente estando mais adulto acho que não podemos perder o nosso jeito doido de ser. Tenho saudades de quando fazíamos surpresas, quando fazíamos besteiras juntos ou quando armávamos pra cima da galera. 

Luan: Você sempre foi minha companheira nas presepadas. Também sinto falta disso. - admiti. - Vamos combinar uma coisa? - ela me olhou assentindo - Quando a gente se resolver e tirar tudo a limpo vamos voltar a ser os mesmos adolescentes apaixonados? Claro que com mais juízo, mas corajosos para arriscar.

Mel: Vamos. - sorriu de canto e a vontade que eu estava era de a beijar. 

Luan: Posso te beijar? - indaguei num impulso e ela arregalou os olhos.

Mel: Melhor não. 


Assenti e peguei em sua mão a acariciando. Alice veio correndo sorrindo e abraçou nós dois. Passeámos mais um pouco e voltámos para casa na hora do jantar. Os sogros jantaram com a gente já que estavam nos esperando para saber como a gente estava. 


Mel: Estou bem sogra, os remédios da dor ajudaram bastante e já estou como nova. Apenas algumas marcas negras persistem mas nada que não passe. 

Mari: Ainda bem. E já consegue fazer esforços? 

Mel: Mais ou menos, os pontos ainda não saíram todos. Preciso tomar cuidado. 

Amarildo: Melhor se cuidar mesmo. Seu carro não teve arranjo nora, tenho estado a par disso e me disseram que a parte mais importante foi afectada e que não vale a pena arrumarem porque vai sair mais caro que um novo. 

Mel: Não tem problema, não sei se terei coragem de voltar a conduzir agora. - falou se apercebendo disso. 

Luan: Eu te ajudo se você quiser, não vou deixar você conviver com esse medo. - apertei sua mão por cima da mesa e ela sorriu agradecendo. 


Alguns dias se passaram, e logo mais meus filhos estavam voltando para casa. Acordei sentindo uma mão pequena em minha barriga e quando abri os olhos vi minha princesa me abraçando. 


Alice: Bom dia papai. 

Luan: Bom dia amorzinho. - beijei seu rosto e ela se levantou pegando num embrulho que tinha ali. 

Alice: Palabéns. - me deu o presente e só então me lembrei que hoje era dia do meu aniversário. Com tanta coisa acabei esquecendo completamente. 

Luan: Oh filha, obrigado. - me deu um abraço. Abri o presente e me deparei com uma t-shirt com o símbolo do Superman marcado. 

Alice: Superpapai. - falou dengosa e me emocionei a puxando para um abraço forte. - Ai papai, vai me matar.

Luan: De amor minha coisa linda. 

Alice: Te amo muto. - falou assim que parei. - Cê é o senhor mais munito que já vi. 

Luan: Tanto mimo. - brinquei com ela - Assim vou ficar mal acostumado. 

Alice: A mamãe que falou isso. - confessou e me admirei. 

Luan: Foi? Que mais ela disse? 

Alice: Que o senhor é um pincípe e que salvou ela. A mamãe é uma pincesa né? - me perguntou sapeca. 

Luan: É meu amor, sua mãe é uma princesa. - acariciei seu rosto - Assim como você. 

Alice: Como cê salvou ela? Foi de cavalo? - ri da sua ingenuidade. 

Luan: Não minha filha, salvei com amor, com sorrisos, com carinhos. 

Alice: Então cê tamém salva eu. - constatou e assenti a abraçando. 

Luan: Papai vai tomar banho pra gente descer tá bom? 

Alice: Não demola vaidoso. - disse brincalhona e vendo a minha cara riu correndo pelo quarto. 

Luan: Sapeca, não faz besteira. - avisei e ela assentiu prontamente ligando a tv pra ver desenho. 



Mel On: 


Luan estava comemorando 28 anos e mandei Alice levar o presente que compramos juntos num dia desta semana quando saímos com Mari. Também tinha o meu guardado. E como ele nem falou de festa ou comemoração aposto que esqueceu. Mas não deixaria passar a data em branco. Dr. Eduardo disse que os bebés podiam voltar pra casa hoje e seria uma ótima surpresa para ele que não sabia. Preparei um café da manhã caprichado na piscina e chamei os sogros e a Bruna. Mais tarde teria festinha de piscina com churrasco e com toda a galera. Sim, a gente ainda estava se entranhando e parecendo que não eu estava me esforçando demais para não o magoar com a minha distância. Eu precisava desse tempo e ele estava sabendo respeitar. Passava os dias brincando com Alice e me levando no hospital. Sabia que ele sentia falta dos palcos, mas era melhor mesmo tê-lo em casa por perto. por enquanto. O vi descendo com Alice no colo e já estava vestindo a blusa que ela lhe deu, sorri assim que o vi. 


Mel: Parabéns. - disse assim que ele chegou perto. 

Luan: Obrigado. - beijou meu rosto e suspirei. 

Mel: Vamos tomar o café? 

Luan: Ué, não está na cozinha? - perguntou me vendo ir para o lado externo. 

Mel: Hoje não. - sorri sapeca e ele me olhou sem entender mas quando chegou na área da piscina os seus pais e irmã gritaram "Parabéns" o fazendo se emocionar. 


Luan direcionou o seu olhar para mim e sabia que muita coisa deveria estar passando na sua cabeça neste momento, e ele não fazia ideia do quê. 



Boa tarde! Primeiro de hoje, cheio de emoção e fofura. Gostaram? O que vocês acharam da conversa do nosso casal? E esse niver que nem o aniversariante se lembrava? O que será que vai rolar? Comentem amores, mais logo tem outro! Beijos e bom sábado *.*

sexta-feira, 27 de março de 2015

133. Aqui é meu lugar

Tentei resistir mas era impossível, ele me abraçava forte e me puxava mais contra ele, mesmo que isso parecesse impossível. Suas mãos estavam em minha cintura e nuca e não tinha como me desprender daquele momento, aproveitei e correspondi até perceber a borrada que estávamos fazendo. O empurrei com força e lhe dei um tapa na cara. 


Me: Tá louco? Acha que vai ser assim fácil? - esbracejei e ele levou a sua mão à cara me olhando incrédulo. - Como tem coragem de me beijar depois de beijar aquela piranha? Cadê o respeito? - falei alto.

Luan: Eu não beijei ninguém. - cuspiu as palavras - Seria impossível fazer isso com você. 

Mel: Quem me garante? Aliás, quem me garante que você não foi pra cama com ela outras noites porque eu não te podia dar o que você queria? - falei entre o choro. 

Luan: Você me conhece, sabe que não estou mentindo. Eu sou apenas seu e não penso sequer em te trair, não seria capaz de magoar você desse jeito e perder o que de mais importante tenho, o seu amor. - disse sincero mas estava tão confusa que só queria acabar com aquilo. 

Mel: Sai por favor. Eu não quero conversar com você. 

Luan: E quando vamos conversar? 

Mel: Não sei, mas agora só quero distância. 

Luan: Ao menos você acredita que não te traí? - perguntou esperançoso. 

Mel: Não, eu perdi a confiança em você. - disse com mágoa na voz, mas aquela era a verdade. Ele me olhou com lágrimas nos olhos e com o olhar perdido. Deixou as lágrimas caírem e saiu dali rápido me deixando no banheiro sufocando com o choro e a dor física e emocional. 


Quando me recompus vesti a roupa que tinha levado e minha avó chegou me ajudando com os cabelos. No quarto Alice brincava com Mari e falava empolgada sobre os irmãos. Assim que me viu correu ao meu encontro abraçando minhas pernas. Me abaixei e a abracei forte. 


Mel: Estava com muita saudade sua meu amor. 

Alice: Tamém mamãe, quando cê volta com nós pa casa? 

Mel: Daqui uns dias minha filha. - lhe dei um beijo e nos sentamos na cama. 

Alice: A gente pecisa docê mamãe, papai tá tiste sozinho. 

Mel: Você tem se comportado bem? 

Alice: Tenho mamãe. Esta noite o papai domiu na minha cama. - ela falando aquelas coisas só me apertava ainda mais meu coração. 

Mel: Cuida dele tá bom? - lhe dei um sorriso de canto e ela assentiu. 

Alice: A Nic e o Beno são munitos mamãe, palecem o papai. - riu sapeca. 

Mel: Você gostou de ver os bebés amor? 

Alice: Adolei, quelo cantar pa eles. 

Mel: Quando a gente voltar pra casa você canta. - acariciei seus cabelos e iniciei uma conversa com a minha avó. 


Luan não tinha aparecido ali e ainda bem. Na hora do almoço comemos todas ali no quarto entre conversas. Alice foi embora com a minha avó ao início da tarde e aproveitei para dormir um pouco. Acordei bem tarde e a primeira coisa que fiz foi pedir a Mari que me levasse á incubadora. Por ordem do médico tive de ir de cadeira de rodas, desejei o colo do Luan, mas logo esse pensamento foi apagado. Assim que vi meus tesouros e a sua melhora esqueci tudo que estava acontecendo. Já estavam com a roupinha que comprei com Luan e com certeza ele teria trazido. Estava sendo mau demais não poder pegar neles. Os dias se passaram e embora Luan insistisse pra me ver eu negava sempre. Mas sabia da sua presença constante no hospital para ver nossos filhos ou pra me ver dormindo, já que era o único jeito que não conseguia impedir. Hoje teria alta. Doutor Duarte foi cedo no quarto e me levou para fazer alguns exames. Estava no quarto esperando o resultado deles quando meus pais apareceram.


Gonçalo: Filha eu estive a conversar com a tua mãe e tive uma ideia.

Mel: Que ideia pai? - perguntei pressentindo algo de que não iria gostar nada.

Gonçalo: Seria bom tu ires connosco para Portugal.

Mel: Não, eu não vou. - neguei prontamente.

Gonçalo: Só para descansares um pouco e ficares afastada de tudo isto que te magoa filha.

Mel: Eu tenho a minha vida aqui pai, não vou para Portugal coisa nenhuma.

Gonçalo: Só alguns dias então? - sugeriu de novo - Iria fazer-te bem. E depois voltavas e seguias a tua vida normal, pensa nisso filha. Tu precisas de te afastar um pouco de toda essa confusão que é ser mulher de um cantor famoso, precisas de privacidade e de um momento só teu e assim as crianças já conhecem o teu país.

Mel: Eu não quero ir pai, já me acostumei com essa vida e mesmo com confusões é aqui, junto dele, que eu me sinto bem. - confessei a contra gosto.

Ana: Só alguns dias filha. - incentivou.

Mel: Eu vou pensar. - eles assentiram e logo o dr. Duarte apareceu com os exames e a minha alta.


Arrumei tudo e meu pai levou para o carro. Pedi para ficar com meus filhos alguns momentos e eles me acompanharam. Ficámos cerca de uma hora em volta deles. Voltei para casa ao final do dia e quando cheguei na sala vi Luan brincando com Alice, mas ele não estava igual, parecia desleixado com ele mesmo e distraído enquanto Alice o chamava.


Mel: Voltei. - falei e os dois me olharam. Alice correu pra mim e Luan me deu um meio sorriso.

Alice: Mamãe, até que enfim. - falou empolgada e me abaixei para a abraçar, já que por causa dos pontos não poderia fazer esforço e pegar nela.

Mel: O que você estava fazendo?

Alice: Bincando com o papai, mas ele não sabe bincar de boneca. Quelo que a Nic volte logo pa casa pa bincar comigo. - ri com isso e me sentei no sofá afastada de Luan.

Mel: E a escolinha de música, tem corrido bem amor?

Alice: Aham, papai me leva sempe. Poque cê não deu um beijo no papai ainda mamãe? - me olhou curiosa e meu pai pigarreou.

Gonçalo: Nós já vamos filha.

Mel: Fiquem para jantar.

Ana: Nós ainda queremos passear um pouco nessa noite filha.

Mel: Tá, vai dar um beijo nos vovós Alicinha.

Gonçalo: Pensa no que te falei. - me lembrou da proposta e assenti vendo a cara curiosa e confusa de Luan. Minha avó os levou até á porta e voltou para a cozinha.

Alice: E o beijo no papai? - voltou ao mesmo assunto e Luan nada falava, aliás, nada disse desde que cheguei.

Mel: Mamãe tá doente, não pode deixar beijo. - menti e ela me olhou esperta.

Alice: Dá na cala, cê deu em mim. - cruzou os braços esperando. Respirei fundo e me aproximei de Luan lhe dando um beijo casto no rosto. - Agola cê papai. - Luan negou com a cabeça rindo e me deu um beijo estalado. - Quelo cafuné dos dois. - pediu manhosa.


 Luan a pegou no colo subindo para o quarto. Fui atrás e lhe dei banho, Luan fez questão de a vestir e depois a deitarmos na sua cama fazendo o cafuné que ela tanto queria. Minha avó já lhe tinha dado o jantar e não haveria problema dela dormir cedo. Saí do quarto assim que ela adormeceu e Luan veio atrás, quando passámos em frente ao nosso quarto ele me puxou para dentro fechando a porta.


Luan: Agora vamos conversar. - falou firme e bufei cruzando os braços.

Mel: Me deixa tomar um banho primeiro. - pedi e ele assentiu se sentando na cama esperando.


Tomei meu banho demorando mais do que habitual. Não queria ter de falar com ele agora, ainda estava confusa e só iria piorar a nossa situação. Esqueci de levar a roupa e me vesti um roupão saindo do banheiro. Fui ao closet e me troquei. Quando voltei para o quarto Luan mexia no celular mas o largou assim que me viu.


Luan: Eu quero saber tudo, como você soube que eu estava lá na boate e o que pensa daquilo que viu.

Mel: Eu acho é que você me deveria explicar porque me mentiu e o que estava lá fazendo.

Luan: Tá bom. O Sorocaba me chamou para descontrair um pouco e disse que iria levar umas amigas com ele, mas eu ia apenas para me divertir sozinho e encontrar alguns parças, nada demais. Eu sabia que você não aprovaria e também era só uma noite, logo voltava pra casa. Aí assim que chegámos a Daniela...

Mel: Nossa, não esqueceu o nome da vaca. - falei rude e ele revirou os olhos.

Luan: Me deixa continuar? Aí ela foi buscar uma bebida pra gente e me deu, resolvemos ir para um local mais calmo e aí ela tropeçou no meu pé e eu a segurei, foi quando você viu. Não aconteceu nada demais.

Mel: E quem me diz que isso é verdade e não mais uma das suas mentiras?

Luan: Você acha que eu te traí mesmo? - perguntou incrédulo.

Mel: Não vira o jogo, eu te fiz uma pergunta.

Luan: Eu te digo que é verdade e se quiser fala com o Sorocaba.

Mel: Claro, ele é canalha que nem você, é óbvio que vai confirmar a sua história.

Luan: Ele vai confirmar a verdade. Acredita em mim?

Mel: Não me peças isso depois de tudo, não é assim tão fácil.

Luan: E a sua versão, quero saber.

Mel: Não importa a minha versão, importa aquilo que eu vi e que quase me valeu a vida. - rosnei e ele respirou fundo incrédulo.

Luan: Não mesmo, você vai me contar tudo, anda Melissa. - disse autoritário. - Como você soube?

Mel: Não sou obrigada a te dar justificações. - falei decidida e pisei fundo em direção á porta sendo parada pela mão dele em minha cintura.

Luan: Você não vai a lugar nenhum sem antes me esclarecer tudo. - sussurrou sério e me soltei dele.

Mel: Tá bom. Eu recebi uma carta aqui em casa dizendo que você iria se divertir e fazer o que eu menos imaginaria. Até aí tudo bem, eu até acreditei que fosse alguém querendo fazer intriga, mas depois recebi uma mensagem do local e hora em que você estaria e não deu pra ficar quieta em casa pensando nisso. Agora você deve estar pensando que se eu confiasse em você saberia que era mentira. Mas na verdade você que me mentiu e ainda bem que fui desconfiada o suficiente para tirar essa história a limpo. - falei rápido e brava o vendo me olhar confuso.

Luan: Mensagem de quem?

Mel: Eu que sei? Mas pelo que percebi da sua amiguinha, Denise. - disse irónica e ele semicerrou os olhos.

Luan: Impossível, ela está presa.

Mel: Eu também achei isso, mas ela pode muito bem ter arrumado alguém para vigiar nossos passos.

Luan: Se você acha isso sabe que eu não te traí né? - perguntou desesperado.

Mel: Eu não sei de nada, se você me traiu ou não é na sua consciência que isso fica.

Luan: E na sua por estar sendo injusta não fica? - me desafiou e neguei com os olhos fechados pedindo paciência.

Mel: Me poupa Luan. - disse por fim e saí descendo para jantar. Mesmo que a fome não fosse muito eu precisava me alimentar.


Lúcia: As coisas não estão fáceis. - falou assim que lhe contei da briga.

Mel: A vida quis assim.

Lúcia: E tu não? Mel eu acredito que ele não te traiu, e muito menos estava com intenções disso.

Mel: A vó não pode ter certeza. Ele pode muito bem me ter traído.

Lúcia: E iria ficar em casa estes dias, apenas levando a Alice na escola e te visitar no hospital? Ele sabe que teve culpa e não devia ter mentido, mas se ele te contasse que iria sair com os amigos o que tu acharias?

Mel: Eu iria brigar com ele do mesmo jeito, ele tinha que estar do meu lado e não bebendo com mulheres.

Lúcia: Estás a ver? Ele apenas quis poupar-te desse stress.

Mel: Isso não justifica nada, muito menos dele estar com a mão naquela piranha.

Lúcia: Não deixes as coisas irem por caminhos que nenhum de vocês quer. - me avisou e continuei comendo. Luan não desceu e vi minha avó preparar uma bandeja para lhe levar.


Alguns dias se passaram e em todos eles visitei meus filhos no hospital com Luan. Meus pais iriam embora hoje e passaram lá em casa para saber a minha resposta. Confesso que não pensei muito nisso, porque não estava com intenções nenhumas de viajar.


Gonçalo: Então filha vais pra Portugal daqui a algumas semanas? - era o tempo dos bebés virem para casa.

Mel: Não pai eu não vou. - falei decidida e Luan apareceu na sala desconcertado por ver meu pai.

Gonçalo: Hum, já se resolveram? - perguntou incrédulo - És muito burra Melissa, ele faz de ti gato sapato e tu ainda aceitas as desculpas esfarrapadas desse desgraçado.

Mel: A gente não se resolveu. Estamos igual, não fala bobagem. - me enervei - Eu já disse que não vou, não insiste pai, meu lugar é aqui.

Luan: Ir pra onde? - perguntou finalmente com o tom preocupado.

Gonçalo: Pra Portugal, ficar longe do que lhe faz mal. - rosnou e Luan me olhou engolindo em seco.

Luan: Você não vai né Melissa? - indagou com sofrimento na voz.

Mel: Não. - ele respirou aliviado e subiu para o quarto.

Ana: Estamos á tua espera como sempre. - me abraçou e agradeci pela ajuda que me deu.


Os levei á porta e me despedi deles. Subi para buscar meu celular e assim que entrei no quarto escutei uma conversa de Luan no celular.


Luan: Eu preciso falar com a Daniela... - foi o bastante para bater a porta com força e sair dali chorando.



Boa noite Cinderelas! Eitaaaa, Mel bateu no Luan e ele não pareceu saber lidar muito bem com isso. Gonçalo querendo levar a filha para Portugal, mas ela não consegue abandonar a vida que tem no Brasil. Finalmente nosso casal conversaram mas não resolveram nada. E agora? Mel apanhou Luan dizendo que quer falar com a tal de Daniela? O que ele quer? E o que a Mel vai fazer agora? Comentem bastante, amanhã tem dois como prometido. Beijocas <3

quinta-feira, 26 de março de 2015

132. Inesperado

Dei espaço para os dois entrar e fomos até ao meu estúdio. Nos sentámos e estranhei Sorocaba estar junto, mas com certeza iria saber o motivo. 


Amarildo: Você está bem? 

Luan: Não pai, mas vou ficar. - fui sincero e olhei Sorocaba. 

Sorocaba: Eu encontrei seu pai na porta, vinha falar com você. - começou por se explicar - A culpa foi minha por tudo que aconteceu, eu que insisti para que você fosse. Quando soube do acidente liguei as coisas e percebi a burrice que fiz. 

Luan: Nada não cara, eu que aceitei né? Podia ser mais resistente e ter negado. O único culpado sou eu. 

Sorocaba: Mas eu também tive culpa, se precisar de mim para convencer a muié a acreditar que cê não fez nada me chama. 

Luan: Vai ser difícil ela me perdoar, mas se precisar eu chamo sim. 

Sorocaba: Então eu vou indo. - se levantou e meu pai interrompeu. 

Amarildo: Fica Sorocaba, eu quero saber tudinho que aconteceu, e se você tem dedo nisso é bom que fique. - falou firme e engoli em seco prevendo a bronca que viria. - O seu sogro não está aí? 

Luan: Não, e agora que cê fala nem lembrei que eles estavam cá, mas acho que não ficaram cá em casa não, se não a avó já me tinha falado. 

Amarildo: Normal eles quererem ficar num hotel, afinal você colocou a vida da filha deles em risco. 

Luan: Eu sei pai. - falei assentindo. 

Amarildo: Fala tudo que aconteceu? - pediu e respirei fundo antes de começar.


Contei cada detalhe e Sorocaba falou da parte em que entrava ajudando a entender melhor a situação. Meu pai não desamarrou a cara que estava desde que chegou e isso me assustava, eu precisava de apoio e não de pessoas contra mim, já me bastava carregar a culpa. 


Amarildo: Sorocaba você já tem idade para entender que quando ele diz que não por causa da mulher é melhor respeitar e não insistir né? - confrontou-o. - E você Luan, já tem quase 28 anos, não aprendeu nada estes anos em que esteve casado? 

Sorocaba: Você tem razão Amarildo, eu devia ter compreendido, mas no momento só queria me divertir com um velho amigo que não via a algum tempo. 

Amarildo: Poderia ser sem mulheres. - returcou e Sorocaba se rendeu. - Você estava apenas com intenções de beber e descontrair? - perguntou direcionando o seu olhar para mim. 

Luan: Estava pai, eu nem sequer me atrevo a pensar em trair a Mel, não faria isso nem morto. 

Amarildo: Eu quero acreditar que não. 

Luan: Pode acreditar pai, preferia ficar sem voz do que perder a muié da minha vida por uma canalhice feito essa. 

Amarildo: Mas você sabe que está em maus lençóis filho. Ela até pode acreditar que você não fez nada, mas a mentira que você preferiu usar do que contar a verdade vai demorar para ela esquecer. 

Luan: Aham, mas eu vou fazer de tudo para que ela me perdoe, demore o tempo que demorar. 

Sorocaba: Mas você deu pistas de onde estaria? Porque é muito estranho ela aparecer lá né? - observou e ele tinha razão, como ela sabia onde eu estava? Com o desespero de tudo nem pensei nisso, mas agora as coisas estavam clareando mais. 

Luan: Soroca eu não falei nada, não faço ideia de como ela soube.

Amarildo: Melhor você deixar ela voltar para casa e recuperar e depois ter uma conversa bem séria com ela para perceber tudo isso. 

Sorocaba: Será que alguém a avisou? 

Luan: Mas quem?  A Mel não tem muita gente conhecida cá, a não ser amigos meus e pessoal que trabalha com ela. 

Sorocaba: Não sei, mas quando muié desconfia elas são piores que FBI. 

Amarildo: A sua sorte foi a imprensa não estar no bar porque iriam relacionar tudo e você sairia como culpado e traidor, porque eles sempre inventam. Apenas souberam do acidente e do parto provocado. Mais nada. 

Luan: Ainda bem, porque se saísse boatos de traição a Mel me esfolava vivo. 

Amarildo: Achas que mesmo assim você não merece? - falou óbvio e suspirei encarando o chão. - Bem, eu vou indo pra casa, amanhã sua mãe vai passar o dia com ela. Dorme e pensa no que irá fazer. 

Sorocaba: Também vou indo, qualquer coisa cê já sabe. 

Luan: Tá bom, apenas não virem costas pra mim. Eu já estou me sentindo péssimo por fazer o que fiz. 

Amarildo: Fica tranquilo. Apenas acho que você tem muito para aprender ainda, a vida não é um conto de fadas e o quanto antes perceberes isso melhor. 


Me despedi dos dois e os levei á porta. Por dormir a tarde toda, estava sem sono e me fechei no estúdio compondo. Quando voltei já eram 5h da manhã, dei um beijo em Alice e fiquei deitado no quarto dela aos eu lado a vendo dormir, era como a Mel. O mesmo jeitinho de respirar, a mesma calma e serenidade. A abracei e acabei por adormecer na sua cama. 



Mel On: 


Acordei ás 6h30 e minha mãe e Bruna dormiam numa cama improvisada ali no quarto. Ainda estava noite e aproveitei esse tempo para pensar em tudo. A minha cabeça estava confusa demais e era como um puzzle em que faltavam peças para se encaixar. Teria de conversar sério com o Luan, e dependendo do que ele me disser eu vou organizando o meu pensamento. Não será fácil perdoá-lo, foi por esconder coisas dele que terminámos feio no nosso namoro, aí prometemos ser transparentes e abrir o jogo e agora depois de mais de 4 anos juntos ele repete o meu erro. O pior é que eu tinha provas que estava apenas o protegendo, já ele preferiu sair pra farrear e me esconder isso sabendo que a imprensa poderia ver e espalhar rumores acerca da nossa relação. Ele estava ferrado comigo, e não valia a pena vir com falinhas mansas porque não iria perdoar assim tão fácil. E se de fato houve traição aí muda todo o jogo e a única coisa que acontecerá, será o nosso divórcio. Senti meus olhos queimarem só de pensar nisso e tentei afastar esses pensamentos, ele não merecia nenhuma das minhas lágrimas. 


Ana: Bom dia filha. - falou assim que acordei de novo após adormecer. 

Mel: Bom dia mãe, a Bruna já foi? - perguntei vendo a cama vazia. 

Ana: Não, apenas foi comer alguma coisa e ligar para ... - fez uma pausa e entendi. 

Mel: Se ele vier aqui hoje não deixa ele entrar por favor, pede para proibirem a entrada dele no meu quarto mãe, eu não o quero ver. 

Ana: É necessário isso tudo filha?

Mel: É mãe, ele tem de aprender. E eu preciso  me valorizar e parar de abaixar a cabeça a cada merda que ele faz. - falei rude e minha mãe arregalou os olhos admirada. 

Ana: Ele está a sofrer bastante Mel, mas tu fazes o que quiseres, a vida é tua e o casamento é teu. - fez carinho em meu cabelo. 

Mel: Exatamente. E eu não o quero ver, pelo menos por agora. Pede o café pra mim por favor? 

Ana: Claro. - beijou minha testa e saiu. 


Meu celular tocou e me sentei na cama para o pegar. Senti meus músculos rasgarem e embora estivesse medicada as dores pela manhã eram mais notórias. Assim que abri a mensagem vi que era do número desconhecido, provavelmente Denise. O mais estranho é que na prisão ela não pode usar celular, com certeza alguém está metido com ela. 


"Eu avisei que ele seria capaz de fazer o que fez. Você não conhece o seu homem, mas eu o conheço como a palma da minha mão. Abre o olho queridinha. Ah, e parabéns pelos gémeos, como te desejei antes, espero que sejam a cara do pai e que te dêem muito trabalho. E a nossa história ainda não terminou."


Me arrepiei por inteira lendo aquilo e quando ia travar o celular recebi outra mensagem, desta vez de Luan. 


"Que Deus te abençoe e te cuide meu amor. Será que posso te ver e levar a Alice? "


Senti pena dele, dava pra perceber que estava se martirizando demais por tudo que estava acontecendo, mas realmente ele tinha culpa e nada podia fazer para mudar isso. Com certeza Alice não parou de encher o saco dele para me ver e embora hospital não fosse lugar de criança eu queria ver minha princesinha. 


"Traz ela sim, mas você não entra. Não te quero ver."


Fui o mais fria possível, até porque não conseguia expressar outro tipo de sentimento por ele a não ser mágoa, raiva e ódio. Meu amor estava machucado e não via hora dele curar. Ao invés de me responder da mesma forma ele me liga e eu rejeito a chamada. 


"Me atende por favor?"

"Não, não querer te ver inclui não querer te ouvir. Me dá espaço e me deixa em paz."


Ele não respondeu mais e imagino que algo foi quebrado lá em casa como sempre acontecia quando ele ficava nervoso ou frustrado. Bruna voltou bebendo café e minha mãe entrou atrás com uma bandeja enorme com café para nós duas. 


Bruna: Amiga eu vou indo tá? Queria passar em casa, vou gravar hoje de tarde uma cena ainda. 

Mel: Você nem precisava ficar aqui cunha. 

Bruna: Claro que precisava, até porque uma certa pessoa não aceitaria que fosse de outro jeito. 

Mel: Antes você do que ele. 

Bruna: Não fala isso, você sabe que as coisas não são assim. - pegou em minha mão

Mel: São assim, sim, Bruna. Só eu sei o que vi e o quanto estou sofrendo por tudo isso. 

Bruna: Acredito, mas tem calma e se preocupa antes com seus filhos e sua recuperação. 


Nos despedimos e terminei de comer. Mari apareceu sorridente e mandou minha mãe ir para o hotel descansar. 


Mel: Hotel mãe? Porque não ficou lá em casa? 

Ana: O teu pai não quer dividir o mesmo espaço que o Luan, desculpa-me por isso mas eu tenho de respeitar a escolha dele. 

Mel: Eu compreendo, só não queria vocês pagando hotel quando podem ficar mais confortáveis. 

Ana: Melhor assim. - assenti e ela se foi. 


Mari: Daqui a pouco a Alice aparece, quer que te ajude a tomar um banho nora? 

Mel: Só me ajuda a chegar no banheiro, depois eu consigo me lavar. 

Mari: Tem certeza? 

Mel: Acho que sim Mari. 


Entrei no box e liguei a água, quando ia pra lavar o cabelo senti dores horríveis nos braços e era impossível de os lavar. Tomara que essas dores passem rápido porque meus filhos precisam do meu colo. Desejei que minha mãe estivesse ali pra me ajudar, mas o jeito seria aguentar as dores porque tinha vergonha de chamar minha sogra. Quando subi novamente os braços as dores pioraram e não dava para lavar, fui obrigada a chamar a Mari. 


Mel: Mari me ajuda aqui por favor. - gritei choramingando. Ouvi alguns barulhos no quarto e com certeza Alice já estava lá, com sorte minha avó também. - Mari? - chamei de novo e a porta se abriu mas quem entrou por ela não foi nem Mari, nem minha vó, mas sim Luan. - Sai agora, não percebeu as minhas mensagens? - disse irritada e ele me olhou preocupado. - Eu chamei sua mãe dá pra sair? - choraminguei e ele se aproximou mais. 

Luan: Não vou a lado nenhum. Minha mãe não está aí, foi levar a avó e a Alice á incubadora. Você está bem? 

Mel: Não está vendo que não? - abracei meu corpo com os braços. 

Luan: Tem calma, que você precisa? 

Mel: De você nada. 

Luan: Larga de ser orgulhosa, eu sei que você está com algum problema, e pra chamar minha mãe estando nesse estado está com problema mesmo, fala pra mim o que foi. - ele me conhecia bem e sabia o suficiente sobre mim pra saber que eu só me sentia bem nua na frente dele ou da minha mãe ou avó. 

Mel: Eu estou com problema sim, e ele é você. - respondi firme e ele bufou pedindo paciência. 

Luan: Dá pra pensar um pouco mais em você e esquecer por uns momentos tudo que está acontecendo e me deixar te ajudar? 

Mel: Eu não consigo lavar meu cabelo. - confessei e ele assentiu pegando em shampoo e me virando delicadamente de costas para ele. 


Começou por massagear minha cabeça suavemente e o toque das suas mãos em mim me deram choque me reacendendo o corpo inteiro. Fechei meus olhos sentindo algumas lágrimas rolarem e tentei não soluçar. Depois de uma lavagem ele foi para outra e por fim pegou em sabonete e lavou minhas costas. Enxaguou bem e me ajudou a colocar a toalha na cabeça, me enrolando em outra. Seus olhos eram preocupados e sofridos e quando encarou meu corpo e viu os hematomas do acidente o vi segurar o choro imensas vezes. 


Mel: Obrigada. - disse tímida e ele me deu um meio sorriso se voltando de costas. Quando saí do box o vi retroceder e me pegar de jeito colando seus lábios nos meus. 



Boa noite amores!!! Voltei *.* Gostaram do regresso? Muita coisa acontecendo e a Mel não vai perdoar o Luan como de costume ou acham que vai? E ele? Está se sentindo bem  mal pelo que fez. Mas parece que não vai desistir e para estar no quarto da Mel e a ajudar no banho é porque não vai acatar nenhum pedido dela. E esse beijo hein? Vai mudar alguma coisa? Para bem ou para mal? Comentem bastante, fico esperando por favor! Beijocas <3

terça-feira, 24 de março de 2015

131. Amor e ódio de mãos dadas

Agarrei a mão dela e acariciei seus cabelos. Durante o caminho os enfermeiros cuidaram dos ferimentos do seu rosto meigo. A culpa era toda minha. As lágrimas não cessavam e o doutor Eduardo me olhava vez ou outra enquanto se preparava para provocar o parto. 


Dr. Eduardo:  Quer um calmante Luan? 

Luan: Não doutor, só quero que fique tudo bem, só isso. - solucei. 

Dr. Eduardo: Vamos começar, mantém a calma. - assenti e o vi começar todo o procedimento. 


Melissa nunca me perdoaria se algo acontecesse aos nossos pequenos. E mesmo assim, não sei se me irá perdoar. Eu menti pra ela para estar na farra, para descontrair, sabendo perfeitamente que o meu ponto de paz é sempre ela. Não demorou muito e meus gémeos nasceram, peguei nos dois e beijei a cabeça de cada um ainda sujos com o sangue. Choraram no meu colo e as enfermeiras os levaram para cuidarem deles. As bolsas não estavam ali e então tiveram de vestir uma roupinha de hospital mesmo. 


Dr. Eduardo: Quais são os nomes dos bebés? 

Luan: A menina é Nicole Alencar Santana, o menino... - fiz uma pausa lembrando que Melissa ficou responsável por isso. - A Mel que escolheu, ela que sabe doutor. - falei com um nó na garganta. 

Dr. Eduardo: Tudo bem. Luan. - me chamou e desviei meu olhar de Melissa - Os bebés por nascerem prematuros terão de ficar cerca de três semanas aqui no hospital na incubadora sob os nossos cuidados. 

Luan: Três semanas doutor? 

Dr. Eduardo: É necessário, só assim eles terão o peso adequado para se protegerem sozinhos, agora eles estão vulneráveis demais. 

Luan: Tudo que eles precisarem o senhor faz, eu não quero que nada falte aos meus filhos. - falei quase que num sussurro olhando Mel. - E a Melissa? 

Dr. Edurdo: Ela terá de ficar uma semana internada, tem alguns ferimentos que merecem atenção e por sofrer um forte impacto necessita de repousar mais tempo. 

Luan: Obrigado doutor. - saí para perto de Melissa e alisei seu rosto enquanto as enfermeiras terminavam o processo. - Oh meu amor, eu nunca vou me perdoar pelo que te fiz, nunca. Só quero que você acorde e acredite em mim. Eu te amo mais do que a mim mesmo. A minha vida se resume a vocês. - sussurrei bem próximo de sua cara e o choro recomeçou. As máquinas começaram a apitar freneticamente e me assustei vendo dr. Eduardo correndo para perto. 


Dr. Eduardo: Luan você vai ter de sair. 

Luan: Não, eu não vou a lugar nenhum. O que ela tem doutor? - me desesperei. 

Dr. Eduardo: Ela está entrando num estado crítico por causa do cansaço extremo e do nervosismo, você tem de sair agora. - me ordenou e fui arrastado por um enfermeiro para fora. 


No corredor tinha cadeiras vazias e não pensei duas vezes antes de chutar algumas delas até ser parado pelo segurança. 


Segurança: Vai se acalmar ou vou ter de o expulsar? - me ameaçou. 

Luan: Me deixa cara, minha muié está passando mal por minha culpa e eu sem poder fazer merda nenhuma, me deixa no meu canto. - gritei chorando e acho que ele ficou com tanta pena que saiu dali. 


Me encostei na parede e deslizei por ela até me sentar no chão. Apoiei os braços nos joelhos e deixei que o choro saísse com gritos revoltados. Não sei quanto tempo fiquei assim, mas fui parado com uma mão suave em minha cabeça. Minha mãe estava ali e a abracei bem forte vendo o olhar dos meus pais e de Bruna preocupados. 


Luan: A culpa é minha mamusca, toda minha. 

Mari: Não digas isso Luan, você não tem culpa. 

Luan: Tenho sim, eu que provoquei tudo isso. 

Amarildo: Nós já sabemos do acidente, mas não quero que me digas o motivo disso agora, depois conversamos. Mas o que aconteceu aqui? 

Luan: Meus filhos nasceram. - sorri de canto - Mas a Mel começou a passar mal e me mandaram cá pra fora. - chorei soluçando. - Como vocês souberam? 

Mari: O Eduardo nos ligou, ele estava preocupado com o seu estado meu amor. - falou meiga me ajudando a levantar. 


Me sentei um pouco e Bruna ficou do meu lado abraçada comigo. Meu pai me olhava indecifrável e sabia que teria de contar tudo para ele, pois apesar de me repreender feio ele me daria os melhores conselhos. 


Luan: E a Alice?

Bruna: A gente passou lá em casa e avisámos a avó, ela está esperando notícias. Também ligámos para os pais da Mel e logo mais eles devem estar cá no país. 

Luan: Eles vão me matar.

Bruna: Não fala isso Pi. 

Luan: É verdade, mas eu mereço, a culpa foi toda minha, toda minha Bruna. Nenhuma dor será maior se eu perder o amor da Melissa. - Bruna me abraçou mais forte e minha mãe me deu um copo de água. Doutor Eduardo apareceu ali um tempo depois e cumprimentou meus pais. 

Dr. Eduardo: Ela está estabilizada, já a levámos para o quarto e acordará amanhã. 

Luan: E meus filhos? 

Dr. Eduardo: Na incubadora, podem ir á salinha vê-los, estão dormindo, as enfermeiras já se encarregaram de os alimentar já que a Melissa não tem leite suficiente por ser um parto precoce. Luan acho melhor você tomar um calmante e dormir. 

Luan: Não vou dormir, eu quero ficar com a Mel. - supliquei. 

Dr. Eduardo: Melhor não, ela pode ter outra crise de nervosismo. 

Luan: Não terá doutor, eu só quero ficar olhando ela. - ele aceitou meio relutante. 

Amarildo: A imprensa já está sabendo. - avisou depois de mexer no celular. - Daqui a nada estarão aí. 

Luan: A Arleyde pode vir resolver isso com eles? 

Amarildo: Ela está fora filho, mas eu trato disso. - lhe dei um abraço e saí atrás do doutor. 

Mari: Filho, vê se dorme. - me pediu e lhe dei um beijo assim como em Bruna. 


Passei a noite olhando a minha menina ferida dormindo profundamente. Quando o sono me venceu adormeci torto no cadeirão sendo acordado por raios de sol. Me levantei e fechei a cortina para não incomodar. Quando me virei Melissa se mexia e fui até ela devagar. 


Mel: Onde eu estou? - perguntou acordando 

Luan: No hospital. - falei baixo e ela me olhou assustada. 

Mel: O que você está fazendo aqui? - indagou com mágoa e raiva. 

Luan: Eu... - tentei falar mas não havia nada que pudesse dizer. 

Mel: Sai daqui agora. - disse entredentes. - Nossos filhos? 

Luan: Terão de ficar três semanas na incubadora. - falei com o olhar baixo. 

Mel: Agora sai. 

Luan: Mel, eu não queria ter mentido pra você, não aconteceu nada. - falei rápido e ela revirou os olhos. 

Mel: Sai. - gritou me fazendo estremecer e lembrei do que o doutor falou. Saí contra a minha vontade e deixei a porta entreaberta. A ouvi chorar e do outro lado da porta libertei meu choro também. 


Doutor Eduardo passou por ali e me mandou ir na cantina comer enquanto analisava a Mel. Fiquei lá por alguns minutos e só consegui beber o café, nada mais descia. Passei a manhã ali, observando meus filhos. Mesmo que não conseguisse comer nada empurrei uma sopa na hora do almoço. Estava voltando para o quarto da Melissa quando ouvi algumas vozes de dentro. Abri a porta devagar e meus sogros estavam ali com meus pais, Gabi e Lara. 


Gonçalo: Vem cá rapaz. - falou rude e entrei olhando Melissa que desviou o olhar para seu pai. - Eu entreguei-te a minha filha e você deixa isso acontecer com ela? Tu prometeste que cuidarias bem dela e não é o que eu vejo. - falou frio e alto se aproximando de mim. - Nem devias estar aqui, quero-te bem longe da minha filha a partir de agora. Eu sabia que não deveria ter dado uma chance para vocês. Eu sabia. 

Luan: Eu não queria que nada tivesse acontecido. Eu sei que a culpa é minha e vou viver com ela pra sempre.- falei embargado sentindo meus olhos queimarem. 

Gonçalo: Foste irresponsável e não protegeste o que era teu, agora perdeste e espero que vivas com isso por muitos anos. - esbracejou.

Mel: Pai pára, não está ajudando em nada isso. O que aconteceu só diz respeito a nós dois, não fala do que não sabe pai. 

Gonçalo: Vais perdoá-lo assim tão fácil? Se ele mesmo admitiu que a culpa era dele o que ele mais merece é o inferno. 

Mel: Chega pai. - choramingou.

Gonçalo: Não acredito que o estás a defender? 

Mel: Não estou, apenas não complica por favor. - suplicou. 

Gonçalo: Como preferires, mas depois não venhas chorar arrependida. 

Mel: Apesar de tudo eu o amo e a gente está junto, só à gente diz respeito o que aconteceu. Agora me deixem sozinha por favor. - falou chorando e vi todos saírem. Meu pai apertou meu ombro e quando estava me virando Melissa me chamou .- Fica. 

Luan: Eu não quero que você se sinta desconfortável comigo aqui. 

Mel: Eu estou pedindo. - disse um pouco mais firme e me aproximei um pouco. - Me leva para ver nossos filhos? 

Luan: O doutor disse que você tinha de ficar em repouso. 

Mel: Não quero saber, me leva ou eu vou pelo meu pé mesmo. - ameaçou. 

Luan: Nem nesse estado deixa de ser teimosa. - resmunguei e ela revirou os olhos. - Vem cá que eu te ajudo. 

Mel: Só preciso que confira que não está ninguém no corredor. - assenti e fui ver, com certeza todos tinham ido á cantina. 


Voltei para junto dela e a ajudei a ficar de pé, ela tentou dar alguns passos mas estava tão fraca e dolorida que se apoiou em meu braço. Abracei sua cintura e caminhámos a passos lentos até á porta. por aquele andar alguém nos pegava no flagra e foi aí que a peguei no colo a fazendo me olhar assustada. 


Mel: Não estou inválida. - returcou. 

Luan: Não, importa, se quiser ver nossos filhos vamos ter de ser rápidos. - ela bufou e abraçou meu pescoço. 


A coloquei no chão assim que chegámos e ela segurou a parede de vidro abrindo a porta. A olhei assustado, pois não sei se seria permitido mas não estava ninguém lá para nos impedir. Entrei junto e nossos pequenos estavam juntos e sozinhos naquela salinha. 


Mel: Impressionante, como eles sempre parecem com você. - observou e ela tinha razão, mas cada um tinha traços bem marcados dela, como o narizinho. 

Luan: Tem a sua cara também.

Mel: Queria muito pegar neles. 

Luan: Não dá. - falei triste vendo a incubadora fechada. 

Mel: Você foi o primeiro a pegar neles? - perguntou me olhando de baixo e assenti. - Obrigado. 

Luan: Por nada, são meus filhos também. 

Mel: Eu já tenho o nome do nosso menino escolhido, bem antes de tudo acontecer. 

Luan: Qual que cê escolheu? - perguntei curioso e ela respirou fundo me olhando. 

Mel: Breno Rafael. - meu mundo parou. Ela tinha aceite o nome que eu tanto queria e pra completar juntou o Rafael em minha homenagem, Como eu pude fazer a besteira que fiz com uma mulher perfeita dessas? 

Luan: Você... - fiz uma pausa respirando fundo - Eu estou sem palavras. Obrigado por isso, de verdade. Eu sei que não mereço, mas você sempre se supera e me mostra que é a melhor pessoa do mundo a cada dia. Obrigado Mel. 

Mel: Não tem de agradecer, faria todo o sentido os gémeos terem os nomes que você gosta. 

Luan: Eu te amo tanto. - confessei e ela não fez caso.  - Vamos voltar? 

Mel: Vamos né? - a peguei novamente no colo e a levei ao quarto.  -Agora faz um favor pra mim? 

Luan: Claro. 

Mel: Vai pra casa e toma um banho, dorme um pouco e vê a Alice por favor? 

Luan: Quem fica com você aqui? 

Mel: Minha mãe e a sua irmã. 

Luan: A Bruna não tem trabalho?

Mel: Acho que nestes dias ela está com algum tempo livre. 

Luan: Eu vou adiar todos os shows pra ficar com vocês pelo próximo mês. - ela assentiu e ia beijar a sua testa mas ela desviou a cara me deixando a meio do caminho. 


Em casa a avó estava com Alice na sala e me deu um sorriso reconfortante assim que me viu. Alice correu para os meus braços e a abracei forte. 


Alice: A mamãe? 

Luan: Está nos hospital minha filha, seus irmãozinhos nasceram. 

Alice: Sério? Como é o nome deles? 

Luan: Nicole e Breno Rafael. 

Alice: Rafaer como cê? 

Luan: Sim minha boneca. - beijei seu rosto e ela me abraçou. 

Alice: Tava com sadade. 

Luan: Papai também. Eu vou subir pra tomar um banho e dormir um pouco. - avisei avó e Alice me olhou. 

Alice: Quelo dormir cocê. 

Lúcia: Ela ainda não dormiu de tarde meu neto, nem na escolinha foi, achei melhor ficar em casa. 

Luan: Fez bem vó, eu vou subir com ela então. 

Lúcia: Daqui a pouco levo algo para comeres. - assenti e subi com Alice. 


Acordei já de noite e conferi no celular que eram 21h30. Alice já não estava comigo. Minha vontade era ir no hospital mas ela não me iria querer lá e minha irmã estava com ela. 


Bruna: Alô? 

Luan: Está tudo bem Pi? 

Bruna: Aham, ela está se recuperando bem. É...- Fez uma pausa e pelo tom de voz sabia que vinha bomba. - O pai está indo aí agora de noite conversar com você. 

Luan: Tá, já imaginaria que isso ia acontecer. Obrigado por ficar aí Bubu, qualquer coisa me liga por favor. 

Bruna: Pode deixar


Desci para comer alguma coisa e a vó estava descendo também saindo do quartinho de Alice. 


Lúcia: Ela acordou de tarde e depois do jantar dormiu de novo, pediu para ficar contigo mas como estavas a dormir achei melhor levá-la para o quarto dela. 

Luan: Não haveria problema vózinha, eu gosto de ter a minha princesa comigo. - lhe dei um meio sorriso.

Lúcia: Vou esquentar o jantar para ti. 

Luan: Não precisa vó, vou só comer um lanche, meu pai deve estar chegando aí. 

Lúcia: Não podes comer lanches, comida sustenta mais e tu precisas comer porque conhecendo-te como te conheço sei que não andas a comer nada. - não tive como relutar e comi devagar. 



Terminei de comer e a campainha tocou. Fui abrir e dei de caras com meu pai e Sorocaba. É, a conversa seria longa. 



Boa noite ! Capítulo narrado pelo Luan. Correu tudo bem com o parto mas não parece que Melissa vá perdoar o Rafa. Ela está muito magoada e embora o ame não consegue seguir em frente sem antes conversarem. Acham que vai correr bem a conversa? O Gonçalo estava quase batendo no Luan mas a Mel evitou e até se arriscou com ele em sair ás escondidas para espreitar os pequenos. Porque dois doidos juntos conseguem sempre o que querem ahahah Gostaram da homenagem da Mel ao Luan? Ele ficou todo bobo. Mas agora parece que terá de enfrentar uma longa conversa com o seu Amarildo e o Sorocaba. Comentem bastante amorecos. Beijos <3

domingo, 22 de março de 2015

130. Dois lados da moeda

Se o Luan fosse capaz de fazer isso eu não sei o que faria. Me deitei novamente já que minha avó chegaria com Alice em instantes. Adormeci e acordei com uma mensagem no celular de um número desconhecido. 


"Wood's - SP, pelas 23h00." 


No momento não percebi só depois entendi que era o local onde Rafa estaria, se estivesse mesmo. Mas em SP? Ele estava no Rio Grande do Sul. Achei estranho mas fiquei remoendo aquilo por bastante tempo. Minha avó trouxe o jantar e Alice ficou comigo assistindo tv. 


Alice: Mamãe liga pro papai, quelo ouvir ele cantar pa eu. 

Mel: Já quer dormir filha? - ela assentiu e liguei para ele na hora. Chamou, chamou e nada dele atender. Quando desisti ele me ligou de volta. 


Luan: Oi amor. 

Mel: Olá Rafa, você pode falar agora? 

Luan: Posso, mas rapidinho, tenho compromisso daqui a pouco. 

Mel: Mas a esta hora amor? 

Luan: É. - o senti um pouco tenso mas deixei pra lá. 

Mel: A Alice quer dormir, canta pra ela? 

Luan: Claro que sim. Nossos gémeos estão calmos hoje? 

Mel: Estão sim, não deram problema ainda 


Coloquei no viva voz e Alice pedia as músicas e Luan cantava. Ela logo adormeceu e me despedi dele. 


Mel: Juízo moço. 

Luan: Meu sobrenome amorzinho. Deixa eu ir agora, beijo na sua boca. 

Mel: Beijo amor, te amo. 

Luan: Também. - Como assim "também"? Ele nunca me respondeu desse forma. Desliguei irritada e aconcheguei Alice na minha cama onde ela dormia quando Luan estava fora. 


Tentei adormecer também mas não consegui, virei várias vezes na cama e não encontrava posição. Fiquei encarando o teto e tomei uma decisão. Eu iria tirar isso tudo a limpo. Me levantei e tomei um banho relaxante. Ainda eram 22h30. Me arrumei e ás 23h15 saí de casa. Minha avó estava no quarto dela e não daria conta. Alice também já dormia a noite toda sem acordar e só precisava de tomar cuidado. Não tinha muito trânsito e em meia hora cheguei na boate. Estacionei e só depois me lembrei que se ele estivesse ali com certeza estaria em camarote e não tinha como lá entrar sem falar o nome de alguém conhecido, o Luan saberia logo. Mas daria o meu jeito. Olhei a pista e não vi nada, apenas um camarote estava aberto naquele dia e de onde estava dava para ver as pessoas lá em cima. Pedi uma água e me sentei numa mesinha reservada. Toda a carta passava em minha cabeça e o fato dele ter compromisso de noite me intrigou ainda mais. Fiquei observando o movimento até ver alguém conhecido, era Sorocaba acompanhado de uma loira. Ao lado dele surgiu alguém que eu conheceria mesmo que a kilómetros, Luan. Me levantei na hora e fiquei ereta apenas observando. Uma outra loira ficou do seu lado e lhe deu uma bebida. Ele sorriu e a olhou por alguns minutos subindo e descendo a cabeça. Meu sangue ferveu e minhas mãos se fecharam. A minha vontade era de socar a cara dele e daquela oxigenada. Ele não poderia estar fazendo aquilo, não poderia mesmo. Subi rápido até ao camarote e o segurança me parou. 


Mel: Me deixa entrar por favor. - supliquei. - Eu pago o que for preciso mas me deixa entrar moço. 

Segurança: Não posso senhorita, o camarote está reservado e só convidados podem entrar. 

Mel: Meu marido está aí. - joguei com o que tinha. 

Segurança: Qual o nome dele? 

Mel: Luan Santana. 

Segurança: Você acha que eu acredito nisso? - riu - Ele chegou aqui com uma loira e com os amigos e você acha que eu vou acreditar que ele é casado com você que está assim. - apontou para a minha barriga e me enfureci por saber que Rafa tinha chegado com aquela vadia. 

Mel: A gente é casado e estou esperando mais dois filhos dele sim. - falei firme e o segurança me encarou. - Vai me deixar entrar ou vou ter de chamar meu marido? 

Segurança: Eu vou avisar que a senhorita está aqui. 

Mel: Não. - disse rápido - não é necessário, ele não vai gostar de me ver grávida neste lugar, eu só vim fazer uma surpresa. - ele me olhou desconfiado mas acho que o tom de voz confiante com que falei o fez acreditar. 

Segurança: Tá bom, mas se arrumar confusão o problema é seu. 


Me deu espaço para passar e assim que pisei no camarote fui para o local onde ele estava antes. Mas não o encontrei. Comecei a procurar por ali e vi o que menos queria e nem imaginava que pudesse acontecer. Luan estava com a mão na cintura da loira e ela falava bem próximo á sua boca beijando o seu rosto. Ele sorria e isso me deixou enervada e stressada demais. Senti meus olhos molharem e as lágrimas descerem. Estava disposta a acabar com isso de uma vez por todas mas quando estava chegando Sorocaba me viu e falou meu nome fazendo Luan soltar aquela mulherzinha e me encarar com uma cara estranha e assustada. 


Luan: Mel. - me chamou e deu alguns passos. 

Mel: Você não tinha esse direito. - gritei choramingando. - Não tinha Luan.

Luan: Me deixa explicar.

Mel: Explicar o quê? Eu vi.

Luan: Mas não é isso que você está pensando. 

Mel: Não é né? Você me faz de boba e ainda se acha na razão. Quer saber, fica aí com essa vagabunda de quinta. - virei costas e saí correndo. Senti um braço me agarrar e era ele. - Me larga. 

Luan: Não, antes da gente conversar. Vem comigo. - falou autoritário e puxei o braço. 

Mel: Eu não vou com você a lado nenhum. - Lhe apontei o dedo e saí dali o mais rápido possível. O ouvia me chamar mas não queria saber. 


Entrei no carro e saí cantando pneu vendo tudo embaçado pelo choro que era gritante. Não sabia para onde ir, mas pra casa não iria agora, precisava arejar as ideias e nada como conduzir pela cidade de madrugada. Aquela loira não me era estranha e me fazia lembrar alguém, mas não sabia quem. Conduzia em alta velocidade quando num cruzamento vi uma luz vindo em minha direção do lado direito e sem que pudesse reagir o carro foi arremessado para a berma.



Luan On:  


Terminei meus compromissos no Rio Grande do Sul e voltaria para a minha família hoje ao final da tarde. Estava morrendo de saudade dos meus amores e tentaria algo com Melissa, mesmo ela não podendo, mas não seria justo eu ficar na vontade. Quando estava saindo do hotel Sorocaba me ligou me convidando para uma festinha na Wood's em Sampa. 


Luan: Cara, não dá não, tenho minha muié grávida em casa. 

Sorocaba: Oh rapaz você precisa descontrair, te senti um pouco tenso quando a gente se viu estes dias, aceita cara, ela vai entender. 

Luan: Não sei cara, vou contar pra ela e vai depender da resposta que ela der. 

Sorocaba: Não conta, eu vou levar umas amigas e se ela sabe que vou acompanhado capaz de não te deixar nem sair. - riu brincando. 

Luan: É, nisso cê tem razão, eu vou dar um jeito. 

Sorocaba: Tô contando com você


Pensei muito nessa proposta e não haveria porque Melissa não me deixar ir ou sequer não gostar que fosse. Ela era bem compreensiva e uma saída de vez em quando é sempre bom. Voltei pra Sampa e fiquei no hotel. Sorocaba chegou ali no quarto e Mel me ligou, não pude atender mas quando ele saiu devolvi a chamada. Alice queria dormir e a única maneira era me ouvindo cantando. Minha muié estava cansadinha também  e dormiria tão bem que nem se preocuparia com o lugar que eu estivesse. Só era tomar cuidado para não ser fotografado. Quando desci para me encontrar com o Sorocaba ele estava acompanhado de duas loiras bem gatas e daquele jeito que eu me encantaria de primeira em tempos de solteiro. elas estavam em micro vestidos e era impossível não reparar nas suas curvas. 


Sorocaba: Esta é a Daniela Luan. - me apresentou à loira de olho verde que tinha alguns traços da Denise, mas só deveria ser coisa da minha cabeça. 

Luan: Oi Daniela, prazer. 

Daniela: O prazer é todo meu e será todo seu. - falou sedutora e me assustei um pouco com o que ela falou.


Chegámos no camarote e Daniela se ofereceu para pegar uma bebida. Estava um pouco movimentado mas nada comparado aos dias de final de semana. Mudámos para um local mais reservado para conversar. Daniela tropeçou no meu pé e a segurei pela cintura para que não caísse ela em agradecimento beijou meu rosto. Não me senti confortável com aquilo, nem sabia até onde ela estava pensando ir, mas não trairia Melissa nunca na minha vida. Por falar nela, Sorocaba pronunciou o seu nome e assim que olhei para trás a vi com um olhar matador me olhando enquanto algumas lágrimas desciam pela sua pele. Tentei me explicar mas ela estava tão chateada que nem me deixou falar saíndo dali correndo. Fui atrás mas mesmo assim me dei mal. A vi sair da boate em alta velocidade e chamei um táxi que estava ali já que tinha ido com Sorocaba pra boate. 


Luan: Segue aquele carro ali moço, rápido. 


Estava super preocupado com ela. Grávida em risco conduzindo feito uma louca e com fortes emoções. Eu me arrependi na hora de ter aceite o convite e se algo acontecesse á minha Mel e aos meus filhos não me perdoaria nunca. Por momentos a perdemos de vista e quando estávamos chegando num cruzamento vi uma movimentação estranha e o carro dela desfeito na berma. 


Luan: Meu Deus, não, não, não. - dizia para mim mesmo sentindo as lágrimas rolarem. 


Saí do carro correndo e fui até lá a vendo com a cabeça caída no volante sangrando. Não poderia estar acontecendo isto, não poderia. Tudo culpa minha. Os paramédicos chegaram logo em seguida. 


Luan: Eu vou com ela. - avisei. 

Enfermeiro: Claro, estava com ela no carro?

Luan: Não, ela estava sozinha. 

Enfermeiro: Senhor Luan se acalma ou teremos de o medicar. 


O condutor do veículo que bateu nela estava sendo atendido em outra ambulância e fui até ele a passos largos. 


Luan: Cara o que você fez? - gritei. 

Condutor: Eu não fiz nada. - se defendeu - Ela que vinha a alta velocidade e não parou no stop atravessando, não poderia fazer nada para impedir. 

Luan: Se eu perco a minha muié e os meus filhos eu nem sei. - coloquei as mãos na cabeça e ele respirou fundo.

Condutor: Espero que não aconteça nada de grave, me desculpa qualquer coisa. - falou sincero. 

Luan: Eu que peço desculpa, ela não estava sendo civilizada. - sai dali e fui até á maca onde ela estava sendo colocada. - Oh meu amor, a culpa é minha, é minha. 

Enfermeiro: Ela está desacordada, vamos manter as máquinas ligadas e é melhor avisar o obstetra que a acompanha porque a quantidade de sangue que perdeu não dará para manter os bebés ou eles irão acabar por ter complicações. 

Luan: Ela pode perdê-los? indaguei com a voz falha pelo choro. 

Enfermeiro: Pode. - falou calmo e entrei na ambulância segurando a sua mão. - Mas iremos chegar a tempo de os salvar. 

Luan: Tomara, porque eu não sei do que seria a minha vida sem esta muié. Ainda pra mais a culpa sendo totalmente minha.


Mandei uma mensagem para o doutor Eduardo pedindo urgência, não daria para ligar porque a minha voz não saía mais e apenas o choro se fazia ouvir. Os enfermeiros a tentaram estabilizar e assim que chegámos no hospital a levaram para a sala de cirurgia. Doutor Eduardo estava ali e me indicou a sala para trocar de roupa. Segui para a sala onde ela estava ainda adormecida e sendo sujeita ao parto. 



Boa noite ! Melissa ficou com a pulga atrás da orelha e foi atrás para tirar tudo a limpo. E a verdade foi que encontrou o Luan festando com uma loira. Embora ele não tenha feito nada aquilo que ela viu a deixou fora de controle e sem mais nem menos saiu disparada tendo um acidente. Luan foi atrás e viu se sentindo culpado. O parto teve de ser de urgência e provocado, já que caso os bebés continuassem na barriga corriam risco de vida. E agora? Será que vai dar tudo certo? E o nosso casal como irá ficar? Comentem bastante amores! Beijocas !